E então as luzes piscavam, fortemente rosadas e verdes, numa dança que eu não entendia bem como funcionar. A parede escura parecia me chamar, de alguma forma que eu também não sabia explicar. Eu ouvia suas palavras sussurrando no meu ouvido esquerdo, intercaladas com o direito, entre um riso e uma piscadela rápida. Aí aconteceu. Num momento era eu, e depois era eu e você, numa dança que só a gente entendia. Sentia o cheiro e o gosto de menta, maracujá e um perfume açucarado, tudo junto, mas ao mesmo tempo separado. Vinte minutos, ou algo assim. Um sorriso, um convite, uma meia luz e o lugar vazio. Só eu e você.
Aquela noite eu redescobri que pequenos momentos fazem diferenças grandes. Uma música boba, uma outra dançante, conversas no metrô, ver o sol nascendo de dentro do trem. E as risadas ? Ah, as risadas .. !
Não sei porquê de alguma forma você me marcou naquela noite. O que sei, é que eu olho para aquela noite e sorrio, sozinha.